Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

O Mar em Casablanca na Time Out


"O Mar em Casablanca é um almanaque que nos ajuda a lidar com o tempo: a tratar essa impossibilidade de compreender o que fizemos e sobretudo o que não fizemos com ele. Essa angústia, dor aguda, remoinho, costuma aparecer com mais frequência a meio da vida, instalando-se confortavelmente para ficar. Neste livro há já duas gerações a viver com isso: a de Jaime Ramos e a do próprio Francisco José Viegas. É por isso que o livro projecta um futuro melancólico sobre os olhares que tentam voltar ao passado.

O Vidago, o Douro, Angola, Guiné, Venezuela, Casablanca surgem na projecção desse olhar prospectivo. A marginal do Porto continua a ser a paisagem onde gostamos de reencontrar Jaime Ramos, fio de terra entre a cidade e o rio onde o bar Bonaparte é uma ilha no meio do caminho. Mas este andar suspenso não impede que os assassinos que se movem lá por cima sejam descobertos: Jaime Ramos chega é lá mais cansado, porque alguns dos seus fantasmas biográficos se juntaram ao inquérito. Mesmo assim sobra tempo para preparar uns sofisticados filetes de sardinha.

O Mar em Casablanca é um magnífico romance que nos recorda que a História (neste caso o foco está na Angola pós-colonial) nunca está fechada porque o ar que alguém aí respirou originou energia que apenas se deslocou: na geografia e no tempo.

Como alguém desabafa a meio do romance "Andamos sempre de um lado para o outro, não é?"


Rui Lagartinho (jornalista RTP)

(Recensão do livro "O Mar em Casablanca", de Francisco José Viegas, na Time Out)
publicado por Porto Editora às 11:12
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o autor

Francisco José Viegas nasceu em 1962. Foi professor universitário e jornalista, tendo sido director da revista Grande Reportagem e da Casa Fernando Pessoa.

Actualmente é director editorial da Quetzal e director da revista Ler, colaborador de vários jornais e revistas (nomeadamente Correio da Manhã, A Bola, Volta ao Mundo). Foi responsável por programas na rádio (Antena 1) e televisão (Livro Aberto, Escrita em Dia, Ler para Crer, Primeira Página, Avenida Brasil, Prazeres e Um Café no Majestic).

Da sua obra destacam-se livros de poesia (Metade da Vida, O Puro e o Impuro e o mais recente Se Me Comovesse o Amor) e os romances Regresso por um Rio, Morte no Estádio, As Duas Águas do Mar, Um Céu Demasiado Azul, Um Crime na Exposição, Um Crime Capital, Lourenço Marques e Longe de Manaus, com o qual obteve o Grande Prémio de Romance e Novela, de 2005, da Associação Portuguesa de Escritores.

Os seus livros estão publicados na Itália, Alemanha, Brasil, França e República Checa.

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