Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

«O Mar em Casablanca» na Notícias Sábado (DN)

 

«Ah, mas tu não escreves romances, só escreves policiais», dizem-lhe alguns amigos. Francisco José Viegas já não responde às provocações. Está habituado a lidar com o preconceito em relação ao género que começou a ler ainda na adolescência, com a incontornável Agatha Christie, tendo-se depois apaixonado pelos policiais de Carter Dickson ou Dorothy Sayers, quando era um leitor já mais exigente e atento aos pormenores e se descobriu fã de Raymond Chandler. Até ao dia em que, já escritor de romances, poesia e outros géneros, escreveu Crime em Ponta Delgada (1989). Na literatura, como no amor ou na gastronomia, o paladar vai-se refinando com a idade. E nestes três assuntos Viegas está à vontade.  
 
Também Jaime Ramos está a envelhecer. Sente-o no corpo e na melancolia, nos momentos de delírio que se recusa a reconhecer, no coração que lhe prega partidas. Jaime Ramos, o detective que conhecemos desde Morte no Estádio (1991) até Longe de Manaus (Grande Prémio de Romance de 2005 da Associação Portuguesa de Escritores), está a envelhecer e isso nota-se neste novo livro,
O Mar em Casablanca, recentemente lançado pela Porto Editora. O detective, personagem que cresce de livro para livro e que tem já um mundo seu, povoado pela neblina do Porto e pelo entusiasmo de Rosa, é «um pequeno-burguês, um homem que gosta da sua casa e do seu bairro, gosta de futebol, é um tipo conservador. É um céptico e pessimista - céptico em relação à natureza humana e pessimista em relação ao optimismo», assim o define o autor. E aqui está Jaime Ramos, mais uma vez, com um crime ou dois para resolver com a ajuda de José Corsário. Mas isso é só o princípio. Os mortos são apenas um pretexto para viajar - do Vidago ao vale do Douro, dos Andes a Casablanca.  
 
Viajar também ao passado - à guerra colonial, à independência, ao ano de 1977 em Angola, África, outra vez África. Em
O Mar em Casablanca, saber quem é o assassino é tão importante quanto desfrutar das páginas, das paisagens, das comidas, dos gestos, das personagens, dos pensamentos de Jaime Ramos. Porque, como Francisco José Viegas tão bem sabe, um crime nunca é apenas um crime  

Maria João Caetano 

publicado por Porto Editora às 10:22
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1 comentário:
De allungamento del pene a 11 de Janeiro de 2011 às 16:34
Parabéns pelo seu blog, muito interessante. Estou estudando Português, eu não consigo entender tudo, mas quase! ;)

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o autor

Francisco José Viegas nasceu em 1962. Foi professor universitário e jornalista, tendo sido director da revista Grande Reportagem e da Casa Fernando Pessoa.

Actualmente é director editorial da Quetzal e director da revista Ler, colaborador de vários jornais e revistas (nomeadamente Correio da Manhã, A Bola, Volta ao Mundo). Foi responsável por programas na rádio (Antena 1) e televisão (Livro Aberto, Escrita em Dia, Ler para Crer, Primeira Página, Avenida Brasil, Prazeres e Um Café no Majestic).

Da sua obra destacam-se livros de poesia (Metade da Vida, O Puro e o Impuro e o mais recente Se Me Comovesse o Amor) e os romances Regresso por um Rio, Morte no Estádio, As Duas Águas do Mar, Um Céu Demasiado Azul, Um Crime na Exposição, Um Crime Capital, Lourenço Marques e Longe de Manaus, com o qual obteve o Grande Prémio de Romance e Novela, de 2005, da Associação Portuguesa de Escritores.

Os seus livros estão publicados na Itália, Alemanha, Brasil, França e República Checa.

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