Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

No Porto

 

No próximo dia 26, quinta-feira, o El Corte Inglés de Gaia, pelas 18h30, e o Clube Literário do Porto, às 21h00, receberão Francisco José Viegas e o seu novo romance.

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Em Guimarães

 

Francisco José Viegas estará, hoje, a partir das 15h00, na recém-inaugurada FNAC de Guimarães para apresentar e autografar O Mar em Casablanca.

publicado por Porto Editora às 11:13
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

«O Mar em Casablanca» na Notícias Sábado (DN)

 

«Ah, mas tu não escreves romances, só escreves policiais», dizem-lhe alguns amigos. Francisco José Viegas já não responde às provocações. Está habituado a lidar com o preconceito em relação ao género que começou a ler ainda na adolescência, com a incontornável Agatha Christie, tendo-se depois apaixonado pelos policiais de Carter Dickson ou Dorothy Sayers, quando era um leitor já mais exigente e atento aos pormenores e se descobriu fã de Raymond Chandler. Até ao dia em que, já escritor de romances, poesia e outros géneros, escreveu Crime em Ponta Delgada (1989). Na literatura, como no amor ou na gastronomia, o paladar vai-se refinando com a idade. E nestes três assuntos Viegas está à vontade.  
 
Também Jaime Ramos está a envelhecer. Sente-o no corpo e na melancolia, nos momentos de delírio que se recusa a reconhecer, no coração que lhe prega partidas. Jaime Ramos, o detective que conhecemos desde Morte no Estádio (1991) até Longe de Manaus (Grande Prémio de Romance de 2005 da Associação Portuguesa de Escritores), está a envelhecer e isso nota-se neste novo livro,
O Mar em Casablanca, recentemente lançado pela Porto Editora. O detective, personagem que cresce de livro para livro e que tem já um mundo seu, povoado pela neblina do Porto e pelo entusiasmo de Rosa, é «um pequeno-burguês, um homem que gosta da sua casa e do seu bairro, gosta de futebol, é um tipo conservador. É um céptico e pessimista - céptico em relação à natureza humana e pessimista em relação ao optimismo», assim o define o autor. E aqui está Jaime Ramos, mais uma vez, com um crime ou dois para resolver com a ajuda de José Corsário. Mas isso é só o princípio. Os mortos são apenas um pretexto para viajar - do Vidago ao vale do Douro, dos Andes a Casablanca.  
 
Viajar também ao passado - à guerra colonial, à independência, ao ano de 1977 em Angola, África, outra vez África. Em
O Mar em Casablanca, saber quem é o assassino é tão importante quanto desfrutar das páginas, das paisagens, das comidas, dos gestos, das personagens, dos pensamentos de Jaime Ramos. Porque, como Francisco José Viegas tão bem sabe, um crime nunca é apenas um crime  

Maria João Caetano 

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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Um olhar sobre "O Mar em Casablanca" de Francisco José Viegas

 

"Trata- de um livro em que enredo e personagens são quase autónomos e deixam de o ser quando o autor os agarra, os mistura e com eles faz a história. Mas deixa-os manter as suas histórias separadas. E é este embrulho que tentamos desembrulhar com o desenrolar da leitura. O mistério, a dúvida, o atropelar de situações faz-nos querer chegar a qualquer sítio que nos revele a solução."

 

(Excerto da recensão ao livro O Mar em Casablanca, publicado pelo jornal Hardmusica e assinado por Zita Ferreira Braga)

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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Francisco José Viegas na RTP

 

 

Francisco José Viegas, depois de dois dias nos Açores, onde falou sobre O Mar em Casablanca na livraria Solmar, vai estar hoje na RTP, a partir das 16h00, no programa Portugal no Coração.

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O cheiro da terra molhada (Visão)

 

"Contam-se pelos dedos (de uma mão?) os anti-heróis da ficção portuguesa que perduram, ganhando substância, sombras, saibro na sola dos sapatos, pegadas na memória dos leitores. Que largam pistas que estes, uma outra espécie de detectives, querem seguir como se perseguissem parentes reais. Um desses anti-heróis é Jaime Ramos, o inspector da Polícia Judiciária do Porto, personagem criado por Francisco José Viegas, poeta e cronista, editor da Quetzal e director da revista Ler, vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, com o romance Longe de Manaus (2006). E que agora regressa, como um fantasma de si mesmo." 


Excerto da recensão de O Mar em Casablanca, publicada na edição desta semana da revista Visão e assinada por Sílvia Souto Cunha.

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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

O Mar em Casablanca na Time Out


"O Mar em Casablanca é um almanaque que nos ajuda a lidar com o tempo: a tratar essa impossibilidade de compreender o que fizemos e sobretudo o que não fizemos com ele. Essa angústia, dor aguda, remoinho, costuma aparecer com mais frequência a meio da vida, instalando-se confortavelmente para ficar. Neste livro há já duas gerações a viver com isso: a de Jaime Ramos e a do próprio Francisco José Viegas. É por isso que o livro projecta um futuro melancólico sobre os olhares que tentam voltar ao passado.

O Vidago, o Douro, Angola, Guiné, Venezuela, Casablanca surgem na projecção desse olhar prospectivo. A marginal do Porto continua a ser a paisagem onde gostamos de reencontrar Jaime Ramos, fio de terra entre a cidade e o rio onde o bar Bonaparte é uma ilha no meio do caminho. Mas este andar suspenso não impede que os assassinos que se movem lá por cima sejam descobertos: Jaime Ramos chega é lá mais cansado, porque alguns dos seus fantasmas biográficos se juntaram ao inquérito. Mesmo assim sobra tempo para preparar uns sofisticados filetes de sardinha.

O Mar em Casablanca é um magnífico romance que nos recorda que a História (neste caso o foco está na Angola pós-colonial) nunca está fechada porque o ar que alguém aí respirou originou energia que apenas se deslocou: na geografia e no tempo.

Como alguém desabafa a meio do romance "Andamos sempre de um lado para o outro, não é?"


Rui Lagartinho (jornalista RTP)

(Recensão do livro "O Mar em Casablanca", de Francisco José Viegas, na Time Out)
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

O Mar em Casablanca nos Açores

 

Francisco José Viegas apresentará o seu novo romance amanhã, quarta-feira, na livraria Solmar, em Ponta Delgada, a partir das 20:30.

publicado por Porto Editora às 10:14
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

"O fechar de um ciclo" (recensão do jornal I ao livro O Mar em Casablanca)

"Cinco anos depois, Francisco José Viegas publica um novo romance protagonizado pelo inspector Jaime Ramos

"O Mar em Casablanca" retoma o espírito deambulatório de "Longe de Manaus" (Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 2005). Mas, ao contrário do anterior volume protagonizado pelo inspector Jaime Ramos, a geografia adquire aqui uma densidade menor, substituída em parte pela turbulenta paisagem interior do polícia envelhecido e fragilizado. A ideia de viagem mantém-se. Através de Ramos, Francisco José Viegas fala do que gosta, quer seja na exaltação dos momentos de pequenos prazeres como fumar, ou nas descrições de variações gastronómicas, quer, no caso em apreço, no empenho com que apresenta gentes e lugares, como se fossem mais um elemento da acção, sendo desta indissociável. No entanto, o exotismo solar e expansivo de "Longe de Manaus", internando-se progressivamente nas idiossincrasias de um país, o Brasil, que é como um continente, transforma-se em "O Mar em Casablanca" num caos tempestuoso. A primeira cena, que mostra um homem (não vou revelar-lhe a identidade para não prejudicar a leitura) numa ponte da cidade do Porto, "uma estátua numa noite de chuva", "debruçado sobre o vazio", dá o tom a toda a obra.

Em "O Mar em Casablanca" há como que um regresso ao passado, às origens. Os cenários são essencialmente domésticos - Chaves, Douro, o Palace Hotel do Vidago. Porquê então o título a apelar a outras paragens? Casablanca surge no livro como um território mítico, uma terra que para além da existência concreta foi reinventada no século XX pelo imaginário cinéfilo, numa referência explícita ao filme homónimo protagonizado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, zona de romantismo irreal e, no desfecho final da criação de Viegas, símbolo de liberdade e subversão. A arte da fuga em tonalidades cinzentas, posta em prática por duas personagens do livro.

Vamos a factos. Há três cadáveres em "O Mar em Casablanca". Não em simultâneo, mas aparecendo a intervalos na história. Eles são o pretexto para mais uma investigação do inspector Jaime Ramos, secundado pelos subordinados aplicados Isaltino de Jesus e o cabo-verdiano José Corsário. Acontece que é possível estabelecer uma ligação entre as primeiras duas mortes, visto ambos os homens terem sido assassinados pela mesma arma.

Toda a obra é construída em torno da ideia claustrofóbica de que o passado acabou por apanhar o inspector, de que não existe escapatória possível. Ramos, que mascara a fragilidade com cinismo, quase sucumbe a estas forças, enquanto mantém apurado o instinto de polícia dado aos monólogos (o excesso desse recurso é a grande debilidade deste romance), à contemplação poética e à criação de uma boa história capaz de explicar as motivações e psicologia dos prevaricadores.

O "Mar em Casablanca" move-se entre diferentes tempos, o presente e várias camadas de passado (a diáspora portuguesa na Venezuela também é retratada através de duas gerações de aventureiros). Mais do que um policial em sentido estrito (são intencionalmente deixadas várias pontas soltas numa obra que respira subtilezas) esta é uma história de vingança, de lealdade e de amor, vivida por personagens dotadas de um sentido de tragédia que só costuma ocorrer em momentos radicais da História."

Alexandra Macedo

(recensão ao livro "O Mar em Casablanca", publicada na edição de sábado do jornal I)
publicado por Porto Editora às 10:19
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Aventuras de Jaime Ramos no império dos derrotados

 

"Mesmo sem experiência em relação ao cinema quis marcar os planos. Este plano da ponte, este plano do hotel, este volta atrás, volta à frente, o plano da chegada do barco à quinta no Douro. Enquanto estava a escrevê-lo, este livro era mais visual do que literário. É também mais fotográfico do que 'Longe de Manaus'. Aqui há uma presença forte do olhar." 


Excerto da entrevista de Isabel Coutinho a Francisco José Viegas, hoje publicada no suplemento Ípsilon (Público).

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Jaime Ramos entre memórias (Jornal de Negócios)

 

«Francisco José Viegas regressa com um excelente romance sobre o choque entre dois mundos emocionais e racionais.  
 
Jorge Luís Borges dizia que o policial estava a salvar a ordem numa época de desordem. O inspector Jaime Ramos talvez concorde: nos seus livros ele tenta encontrar alguma ordem interna no meio da desordem que o circula. Talvez ele seja um dos portugueses que, não afectados pelo vírus do sonho consumista que surge disfarçado de modernidade, olha para Portugal como para um sítio que se vai esboroando quase sem dar por isso.  
 
Depois do excelente "Longe de Manaus", Francisco José Viegas regressa com um livro excepcionalmente bem escrito e estimulante, em que o inspector Jaime Ramos, a propósito de dois homicídios, se depara com as suas próprias memórias e vivências. E é isso que é fascinante em Jaime Ramos: ele não pertence a este mundo volátil em que todos os fins justificam os meios utilizados.  
 
Ele é, como diria Chandler, um homem de honra, comum e extraordinário ao mesmo tempo. "Mas Jaime Ramos não era um historiador e o processo não o interessava. O seu mundo era o das vinganças pessoais e o dos caminhos escondidos. Fazer justiça não era uma das suas prioridades", lê-se.  
 
Tudo começa com um homicídio numa festa de encerramento do Palace Hotel, no Vidago. Ali surge morto um jornalista de economia, Joaquim Seabra, de interesses um pouco nebulosos e com um especial interesse sobre Angola. Depois descobre-se o corpo de um empresário angolano, Benigno Mendonça, junto ao Pinhão, no reino do Vinho do Porto, o Douro.  
 
Jaime Ramos e os seus adjuntos Isaltino de Jesus e José Corsário tentam penetrar para lá do nevoeiro com estas duas mortes e elas vão ter a Angola, a Maio de 1977 e às feridas nunca cicatrizadas desses dias em que muitos desapareceram para sempre. É uma teia de contornos emocionais e também políticos que se tece nestas páginas e que acaba também por nos levar à Guiné, e aos tempos militares de Jaime Ramos.  
 
Se a personagem de Adelino Fontoura é a chave do romance (porque este não é um policial estrito), o mais fascinante neste "O Mar em Casablanca" é o universo do próprio inspector. Jaime Ramos sente as rugas, vai envelhecendo, e o seu olhar sobre o que o cerca (as pessoas, o mundo), é cada vez mais o de alguém que imbuído num imaginário que pouco tem a ver com este presente, olha descrente para o que fascina hoje as pessoas.  
 
"Vim ver o bar, tinha saudades. À medida que se envelhece há mais saudades. Os velhos têm mais saudades. E depois adormecem felizes", lê-se, quando Ramos dialoga com Jorge Alonso, o dono do bar Bonaparte que frequenta há anos infinitos. Mas, claramente, Jaime Ramos não consegue adormecer feliz com o que vê.  
 
É entre um mundo que está a desaparecer e outro que se move à velocidade da luz que Jaime Ramos se movimenta, cambaleando, porque já não conhece perfeitamente o piso que calca. Como lhe diz o velho produtor do Douro: "Estas vinhas são parte desse passado, mas os tempos são outros, mais difíceis, terríveis, bons para quem tem dinheiro vivo, dinheiro fresco. Nós não temos dinheiro, senhor Ramos. Os velhos ricos não têm dinheiro. Temos uma adega, estas vinhas, os retratos da família, vícios nem por isso caros". Resta-lhes, como a Jaime Ramos, uma riqueza maior: a memória.» 


Fernando Sobral

publicado por Porto Editora às 09:19
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Como se fosse um filme (Público)


«Há sempre mais do que um cadáver na vida de Jaime Ramos, o inspector da Polícia Judiciária do Porto criado por Francisco José Viegas.  
 
O autor de livros policiais e poeta costuma dizer que pelo preço que o leitor paga por um livro tem direito a várias mortes.  
 
Em "O Mar em Casablanca" aparece logo no início um morto no Vidago Palace Hotel e Viegas utiliza aquilo a que chama "um truque nojento".  
 
O morto, Joaquim de Sousa Seabra, jornalista, tem os sapatos desencontrados. Um pé não bate com o outro. Aquilo que será um gozo para o autor, deixa por várias páginas o leitor intrigado. Embora os livros de Viegas não sejam considerados policiais clássicos (há neles sempre divagações das personagens, monólogos, descrições detalhadas de lugares que ficam no outro lado do mundo, receitas de culinária, histórias da nossa História), também por lã aparecem as pistas em que se tropeça nos tais policiais clássicos.  
 
Um botão perdido, uns pés com sapatos trocados. Mas não se apoquentem. Jaime Ramos e a sua equipa vão dar resolução ao caso, como sempre.  
 
Quem tem seguido a vida do detective Jaime Ramos espalhada pelos livros "As Duas Águas do Mar", "Um Céu Demasiado Azul", "Um Crime Capital", "Morte no Estádio", "Um Crime na Exposição" e "Longe de Manaus" sabe que é dado à melancolia (vive no Porto uma cidade com nevoeiro) e que às vezes se esquece da sua vida.  
 
Neste "O Mar em Casablanca" o seu criador fá-lo ir mais longe. Temos um Jaime Ramos adoentado, baralhado, por vezes xexé.  
 
Às vezes pensamos se o criador não estará a querer livrar-se do seu alter-ego.  
 
Mas vamos por partes. Jaime Ramos é chamado ao Vidago para descobrir quem matou um jornalista da área de economia durante uma festa no famoso hotel Palace. A seguir, viaja para uma quinta do Douro onde um cidadão angolano, Benigno Mendonça, aparece assassinado. Como não podia deixar de ser há uma ligação entre os dois. E claro que existe uma rapariga no meio disto tudo. Chama-se Mariana.  
 
Mas essa parte fica por revelar, leiam o livro.  
 
O que vos podemos contar é que o inspector para conseguir encaixar as peças todas do puzzle que lhe é colocado à frente tem que se confrontar com o seu próprio passado.  
 
E por isso Francisco José Viegas regressa a África, território recorrente no seu universo e onde Jaime Ramos não foi feliz. É o regresso à guerra colonial (principalmente na Guiné); à África dos membros do Partido Comunista que acreditaram que ali podiam fazer a revolução; à África do sangrento 27 de Maio de 1977.  
 
E o fantasma do passado que vem perturbar Jaime Ramos chama-se Adelino Fontoura, espião português, homem dos serviços de informações militares que tinha sido membro do Partido Comunista e que o inspector conheceu na Guiné e julgava desaparecido para sempre. Mas como Viegas prega partidas ao seu detective, Adelino Fontoura é afinal um sobrevivente.  
 
Neste livro e nas histórias que nele se cruzam - e são muitas, ligadas à vida dos portugueses lã fora, aos que escolheram viver longe da pátria - há uma particularidade nova. Viegas deixou-se de estados de alma.  
 
Aproximou-se daquilo que sempre lhe disseram que não conseguiria fazer. Escreveu um policial menos temperamental. E planeou-o como se estivesse a realizar um filme.» 


Isabel Coutinho

publicado por Porto Editora às 09:17
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

O Mar em Casablanca no Marcador de Livros

 

 

"Apesar de os anos não perdoarem (Jaime Ramos teve um princípio de AVC), o inspector mostra-se forte, um autêntico polícia do norte, mas mostrando a sua fragilidade no seu íntimo. Fragilidade de corpo e alma. Um romance excelente de um autor de excelência."

publicado por Porto Editora às 16:34
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

«Um policial introspectivo», no BdB

 

"Embora fugidio e descentrado, com uma narrativa que está sempre a escapar-se-nos entre os dedos, O Mar em Casablanca é um romance sólido, complexo (a exigir releitura, para total compreensão de certas subtilezas) e irrepreensivelmente bem escrito."

publicado por Porto Editora às 18:18
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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Ricardo Arújo Pereira decreta...

 

 

 

 

Ricardo Araújo Pereira, no Governo Sombra (TSF) desta semana, decreta a leitura de "O Mar em Casablanca", de Francisco José Viegas, "um autor de quem gosto imenso", disse um dos famosos Gato Fedorento. Ouvir aqui.

publicado por Porto Editora às 15:05
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Luís Caetano entrevista Francisco José Viegas

Hoje, na Antena 2, programa "A Força das Coisas", entrevista Francisco José Viegas a propósito de O Mar em Casablanca. A não perder, a partir das 16:00.

publicado por Porto Editora às 15:00
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

1.ª edição esgotada

 

O Mar em Casablanca, à venda desde ontem, já esgotou a sua primeira edição de 7500 exemplares.

publicado por Porto Editora às 17:55
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Regresso por um rio

 

"O primeiro capítulo abre com um homem debruçado sobre o vazio, na Ponte da Arrábida. Teríamos, por isso, de começar sempre pelo Porto, até porque é no Porto que Jaime Ramos habita, no primeiro andar do n.° 244 da Rua de Barão de Nova Sintra. Quem espera um edifício com carisma, desiluda-se. O n.s 244 é um prédio banal, cinzento, sem nada que o distinga de milhares de outros. "Escolhi-o porque o conhecia bem, a minha tia morava nesse primeiro andar", explica Viegas." 

 

Excerto da reportagem, assinada por José Mário Silva, que a revista Única, do Expresso, traz às bancas nesta sexta-feira.

publicado por Porto Editora às 15:19
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Na blogosfera

 

Os nossos sinceros agradecimentos ao Cadeirão Volatire, ao As Leituras do Corvo, ao Segredo dos Livros, ao Autores e Livros e ao jornal Hardmúsica pelas referências ao O Mar em Casablanca.

publicado por Porto Editora às 14:04
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Do que se diz

 

O Senhor Palomar, que "põe o pescoço no cepo" pelo "maravilhoso" O Mar em Casablanca, foi o primeiro a anunciar o blogue do livro e espera-se, com expectativa, a entrevista que vai fazer a Francisco José Viegas. O nosso sincero agradecimento ao Senhor Palomar e, já agora, transmitimos os nossos cordiais cumprimentos à Senhora Palomar.

 

Eduardo Pitta, do Da Literatura, anunciou e esteve o evento de lançamento. Esperamos que tenha gostado.

 

José Mário Silva, que em devido tempo anunciou a sua viagem com FJV, assina, na edição de hoje da revista Única, uma excelente reportagem com o autor no encalço do inspector Jaime Ramos bem como uma crítica "4 estrelas" no suplemento Actual.

publicado por Porto Editora às 10:05
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O Porta-Livros já leu O Mar em Casablanca

 

«Portanto, “O Mar em Casablanca” não é “apenas” um romance de personagens, é também, e de que maneira, um romance de lugares, começando logo pelo Passeio Alegre, no Porto, seguindo-se Vidago, o Douro, a Argentina e, claro, Casablanca, a do filme e a real.
É mais um livro sobre os portugueses no mundo, sempre interventivos em outras paragens, mas sempre deslocados quando longe da pátria. E se alguém sabe escrever sobre este tema, é Francisco José Viegas.»

publicado por Porto Editora às 09:32
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Lançamento na Cantina LX

 

O Diário Digital esteve no lançamento do livro O Mar em Casablanca, na LX Factory, e conta como foi.

 

"O mais recente livro de Francisco José Viegas, «Mar em Casablanca», foi apresentado na Lx Factory, em Lisboa. Editado pela Porto Editora, a nova aventura do detective Jaime Ramos coloca o escritor no patamar dos grandes autores da língua portuguesa de sempre, defende o cineasta António Pedro Vasconcelos."

publicado por Porto Editora às 09:47
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Dia 1

 

O Mar em Casablanca está, a partir de hoje, nas livrarias.

 

publicado por Porto Editora às 09:44
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Lançamento de «O Mar em Casablanca»

 

O Mar em Casablanca chega às livrarias na próxima quinta-feira, dia 8 de Outubro. Hoje, a partir das 22:00 na Cantina LX (na LX Factory), o novo livro de Francisco José Viegas será apresentado pelo realizador António Pedro Vasconcelos.

 

publicado por Porto Editora às 00:01
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

O Mar em Casablanca - vídeo

 

Veja, em primeira mão, o vídeo de apresentação do novo romance de Francisco José Viegas. 

 

 

publicado por Porto Editora às 23:20
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Imagens do Vidago

Fachada e lago do Vidago Palace Hotel (fotografia de 1913),

onde decorre a primeira parte da acção de O Mar em Casablanca.

 

«Havia relâmpagos a meio da noite. Clarões entre
o arvoredo, todos se lembravam dos clarões entre o arvoredo.
Os carros iluminados e salpicados de água, os relâmpagos reflectidos
no lago diante do hotel, quase todas as janelas iluminadas na
noite de Novembro como uma recordação de glória e romance.

A frase foi repetida aqui e ali, admirada, reescrita como um testemunho
e uma despedida: uma recordação de glória e romance.
     O hotel, que albergou os refugiados da Monarquia e os primeiros
luxos da República, despedia-se do século seis anos depois
de ele ter passado, quase cem anos depois de ter sido inaugurado
às escondidas.
»

 

Postal de c. 1911, com o hall do Vidago Palace.

 

«Na maior  parte das vezes, casais que vinham para um fim-de-semana derradeiro naquele hotel escondido no meio dos bosques. Malas nos
elevadores. Salas de jogos, uma mesa de snooker, outras mesas
cobertas de flanela verde, candeeiros de pé, lâmpadas amarelas, luz
mortiça, ténue, filtrada, um final de tarde de sábado, as nuvens
sobre a copa das árvores mais altas. Cedros, abetos, pinheiros, carvalhos,
castanheiros, bétulas gigantescas rodeando o canal onde
um barco a remos tinha sido deixado amarrado em memória dos
passeios antigos, dos Verões antigos

 

Salão de restaurante (foto de c. 1911), onde decorre

a festa de encerramento do Vidago Palace Hotel, que ocupa

alguns dos capítulos de O Mar em Casablanca.

 

«O hotel, que albergou os refugiados da Monarquia e os primeiros
luxos da República, despedia-se do século seis anos depois
de ele ter passado, quase cem anos depois de ter sido inaugurado
às escondidas. O casal, um homem e uma mulher de meia-idade,
ele de smoking, ela de vestido preto, abriram o baile – havia uma
orquestra que tocou pela primeira vez nessa noite depois de todos
terem aplaudido o cozinheiro, um homem de quarenta anos e
barba rarefeita que foi apresentado aos convidados a meio da
sobremesa. Uma sala cheia de admiradores, ele sempre sonhara
ser aplaudido daquela forma.
»

 

publicado por Porto Editora às 23:06
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O primeiro olhar sobre Casablanca

Em Abril de 2007, Francisco José Viegas publicou na revista Volta ao Mundo uma crónica intitulada «O Mar em Casablanca»:

«Além do vento, há um sol tímido. Ao fim da tarde, Casablanca repousa da história, abandonada ao trânsito. Dar El Beida (o seu nome em árabe) ocupa o lugar de várias cidades abandonadas. Em primeiro lugar, Anfa, a cidade que os portugueses arrasaram no século XV com dez mil soldados que expulsaram os seus habitantes. Depois, a modesta Casa Bran­ca portuguesa que o terramoto de 1755 destruiu e que foi reerguida cerca de 1770 pelo sultão Mohamed Ben Abdullah, que também fundou Essaouira. A nossa presença em Marrocos termina nessa altura, aliás, depois do abandono de Mazagão (El Jadida), cujos habitantes são enviados para o limite norte da Amazónia brasi­leira (actual Amapá). E a Casablanca onde está a marca dos mercadores espa­nhóis, antes de, no início do século XX, ser ocupada pelos franceses.»

publicado por Porto Editora às 22:56
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O Mar em Casablanca: uma receita para guardar.

 

Vem na página 200 de O Mar em Casablanca, durante um encontro entre Jaime Ramos e o seu amigo Ramiro, advogado e bebedor de Blue Curaçao. Trata-se de uma receita de arroz de sardinhas, uma das preferidas do inspector Jaime Ramos:

 

     «Sabes porque é que eu era bom a jogar à bola? Aprendi a
jogar à bola descalço, sabia entortar os pés para fazer efeitos.»
      Ele bebia o seu cálice de Blue Curaçao, como fazia sempre
depois de jantar. Jaime Ramos não bebia. Cozinhara pela primeira
vez desde há muito tempo, por capricho, aproveitando as últimas
sardinhas de fora da temporada, compradas num supermercado.
Retirou-lhes as vísceras e, com a ponta da faca, retirou-lhes a pele
até formar doze filetes que estendeu numa tábua de madeira,
enquanto Ramiro, sentado num banco da cozinha, bebia cerveja e
observava como o amigo mantinha a precisão dos seus gestos
manejando a faca. Cortando a cebola em fatias finas, picando dois
dentes de alho, escaldando alguns tomates maduros que retirara
do congelador – para lhes retirar a pele e cortá-los em pedaços
regulares, esmagando alguns com um garfo. Num tacho, deixou
que a cebola em rodelas cozinhasse no azeite; não uma fritura
rápida mas a suave alquimia de uma cozedura lenta, de baixa temperatura.
Juntou então as sardinhas e subiu o fogo. Agora sim, fritar,
de modo a que as sardinhas perdessem a sua película fresca,
gelatinosa, muito rapidamente, inundando a cebolada do seu
aroma. Esse era o segredo, explicou; se as fritasse, ficaria o cheiro a
invadir a cozinha, toda a casa, mas a cama de cebola semicrua suavizou
o cheiro. Depois de recolher os doze filetes regou-os com
sumo de limão. A cebolada tinha escurecido, dourada no azeite e
acrescentada de pequenos fragmentos do mais popular dos peixes;
juntou-lhe então o tomate, o louro, o alho picado, um copo de
vinho branco, três copos de água, e deixou que fervesse. De um
frasco tirou pimentos assados a que subtraiu a pele fina, uma operação
fácil. Quando o caldo tinha mais de um quarto de hora de
fervura, juntou sal, o arroz e os pimentos e deixou cozinhar por
dez minutos, até que os grãos de carolino, soltos e suculentos,
reclamaram as sardinhas. Entregou-lhas, sacrificando a doçura do
peixe à doçura ainda maior do caldo, ligeiramente espesso (graças

ao tomate e à cebola, entretanto desfeita, transformada numa
pasta flutuante e gelatinosa), e tapou o tacho por mais cinco minutos.
      Ao abrir, o perfume espalhou-se pela cozinha e Jaime Ramos,
que já tinha aberto uma garrafa de vinho, chamou Rosa pelo telefone
– ela desceria os dois andares, carregando a sobremesa, e juntar-
se-ia a um jantar para assinalar a saída de Jaime Ramos do
hospital.
      «Voltar à vida», ele murmurou depois, para um Ramiro en -
costado ao espaldar da cadeira, descalço, segurando o seu cálice de
Blue Curaçao. Rosa saíra para ir ao cinema com amigas.
      «E então temos um homem que voltou à vida», disse ele. «Não
conhecia essa tua história da Guiné. Recrutado para o partido por
um homem que não podia recrutar-te.»
      «Sou um falhado.»
      «E dos grandes», Ramiro rindo.

publicado por Porto Editora às 22:46
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O Mar em Casablanca: edição em Itália

Os direitos de O Mar em Casablanca foram já adquiridos para Itália: a edição está marcada para meados do próximo ano, com a chancela da Nuova Frontiera, que publicou os livros anteriores de Francisco José Viegas.

 

Sobre as edições italianas, ver as críticas de Giancarlo de Cataldo no L'Unitá e de Marco Peretti no Liberazione, do La Repubblica, e do Il Manifesto; e ainda no Il Messaggero, uma entrevista com Jaime Ramos no La Repubblica, no Il Sole24Ore, e de Marilia Piccone (Wuz).

publicado por Porto Editora às 22:36
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«O romance policial ordena o mundo.»

 

Leia a entrevista do autor de O Mar em Casablanca ao diário brasileiro Estado de São Paulo:

 

«Jaime Ramos é capaz de ser, também, uma espécie de alter ego, sim. Eu gosto bastante dele, protejo-o, sinto uma grande cumplicidade nestes oito livros em que ele atua. Mas à medida que ia trabalhando com pessoal da polícia de investigação ia descobrindo pessoas assim, com esse grau de complexidade e capacidade de surpreender. De alguma maneira, ele é uma figura amável e que torna amável até coisas aparentemente pouco simpáticas: é um conservador, um pequeno-burguês, um homem culto, amoral, desejoso de passar despercebido. Os modelos de detetive clássico dão sempre a imagem de um homem alcoólatra, meio em conflito com a família, a casa, a sociedade. Jaime Ramos foge a esse esquema.»


publicado por Porto Editora às 22:23
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Prémio APE 2006

Leia aqui o discurso de Francisco José Viegas na cerimónia da entrega do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (disponível para download):

 

«Eu escrevo histórias. De alguma maneira, imagino histórias que me comovem e que gostaria que comovessem os meus leitores. Se há alguma definição, em teoria da literatura, para o género de romance que eu gosto de escrever, acredito que seria essa. E que a frase decisiva seria essa também: "Eu escrevo histórias." Acho que escrevo histórias porque gosto de ler as histórias dos livros dos autores que aprendi a amar desde a infância e a adolescência.  [...]

Comecei este breve discurso agradecendo o prémio. Terei de agradecer também aos meus personagens, aos personagens dos meus livros. Sem eles eu não teria conseguido escrever nem contar histórias, nem ter vivido os momentos dessa estranha e no entanto intensa felicidade que é a de ver que, subitamente, esses personagens já não dependem de mim mas da vida inteira, da vida que vem nos livros. Conheço o inspector Jaime Ramos, o detective de "Longe de Manaus", há algum tempo. Há cerca de quinze anos que ele vive comigo e que eu conto as suas aventuras. De alguma maneira, como vêem, nem as histórias me pertencem, mas sim aos meus personagens. É verdade que o detective Jaime Ramos só existe porque eu o inventei, ou o criei, ou o escrevi. Mas isso acontece porque ele vive, melhor do que eu, esse mundo de perturbação e de poeira onde situo as minhas histórias. Ele é um homem vulgar e céptico. Talvez um pessimista, até. Tem hábitos vulgares. A sua excepcionalidade, o que para mim se revelou excepcional no seu carácter, foi a sua capacidade de permanecer vulgar, céptico, dedicado, tranquilo, apesar da vida inteira, a sua e a dos outros. Agradeço-lhe ter aceite este papel de personagem dos meus livros. [...]»

 

publicado por Porto Editora às 22:03
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Jaime Ramos em Itália

Para saber mais sobre o inspector Jaime Ramos, oiça esta entrevista na emissora italiana RAI Due:

«Jaime Ramos non era autoritario, ma gli piaceva dare ordini e aspettare tranquillamente che le cose si sistemassero da sole. Se c'era una critica da fare a Jaime Ramos era che non si interessava alle cose con applicazione, impegno, coerenza e ovvietà. Spesso gli sembrava che lo infastidisse qualcosa, la pioggia, un omicidio, il sole, l'estate, l'ora di pranzo. Non era mai entrato nei particolari.»

L'ispettore Jaime Ramos è un uomo disincantato e malinconico, con un passato comunista e una guerra coloniale in Guinea alle spalle, scettico sulla natura umana ma con una fortissima carica di ironia; la capacitá di sorridere lo preserva dall'orrido mondo di coloro che hanno certezze su tutto

publicado por Porto Editora às 20:34
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Terceira e última parte da pré-publicação no Público

 

«Um retrato de uma beleza de outrora, aquele que se podia ver do alto dos miradouros e das ermidas abandonadas, em ruínas. O seu cheiro preferido não era aquele, indefinido e carregado de arvoredo. Esse cheiro ele nem recordava; apenas o reconhecia se a paisagem lhe lembrava a infância: o fumo dos crepúsculos, na sua aldeia, o ruído dos vales. Realmente, ele não tinha cheiro. Precisava de um, como toda a gente, mas tudo na sua vida dependia das horas do dia - e, por isso, ele sabia que não iria voltar à sua terra depois da reforma, porque a sua terra tinha acabado, um vendaval tinha eliminado a sua memória paia impedi-lo de ser um velho nostálgico. Junto do ancoradouro havia um cesto de lixo e foi lá que esmagou o resto da cigarrilha, enquanto se voltava para o outro polícia, que se erguera e sacudia as pernas, depois de ter estado ajoelhado junto do cadáver.

"Já está?"

"Por mim,já."

"Quem é ele?"

"O director do hotel já foi ver. Ainda está tudo a dormir." "Era bom que estivessem todo o dia a dormir. Precisamos de mais uma ou duas horas. Vamos ter com o tal director do hotel."

"E isto, chefe?", perguntou o outro, apontando para o corpo. "O chefe não quer vê-lo? Vai ficar aqui?"

"Mostra lá, Isaltino, mostra lá, não há morto que te apareça que não queiras fazer dele a estrela da companhia", ele encolhendo os ombros, encaminhando-se para a beira do lago e preparando-se para se ajoelhar ao pé do morto. O homem estava vestido de smoldng e continuava calçado, a pele escurecera, suja e manchada de líquenes, folhas de árvore que tinham caído na água do lago, saibro amarelado da margem para onde fora arrastado. A camisa com o colarinho desapertado, o laço desfeito mas preso debaixo do colarinho por um alfinete, aliança no dedo anelar esquerdo, um relógio de mostrador preto no pulso esquerdo, botões de punho, naturalmente, um dos sapatos deformado, e aquelas duas manchas de vermelho e negro, à altura do estômago, por onde o sangue escorrera bastante, sujando a camisa e espalhando-se pela água do lago.

"O telemóvel estava no bolso das calças, chefe. Está aqui", disse Isaltino segurando um saco de plástico onde guardara o telefone, um minúsculo objecto preto do tamanho de um maço de cigarros.

"E os documentos?"

”Nada, chefe. Nada. Nem carteira, nem isqueiro, nem chaves, nem papéis nenhuns. Procurei em todos os bolsos. Não se guarda grande coisa num smoking . Digamos, não é um fato que a gente vista todos os dias."

"Tu tens smoking, Isaltino?"

"Não. Para quê?"

"Nunca se sabe. Há coisas que me escondes."

"Eu nunca esconderia isso. Um smoking nunca. Mas enfim. O chefe tem?"

"Também não, mas tu sabes mais de smokings do que eu."

"É dos livros. E dos filmes. Há sempre um smoking no James Bond."

"Mas este não era o James Bond."

"À primeira vista, não, mas os mortos enganam muito. Se o chefe não se importar, eu gostava de ir andando. O médico está ali a chegar e temos um hotel inteiro por nossa conta. Ninguém nos manda vir tão cedo, às seis da manhã."

"Eu ando com insónias, Isaltino."»

publicado por Porto Editora às 17:28
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Segunda parte da pré-publicação no Público

 

«Os guardas reuniram-se perto do jipe, de costas voltadas para o pequeno lago que se afunilava sob os dois teixos e os rododendros que sobreviviam debaixo da camada de musgo dos troncos. Ficou de pé, as mãos atrás das costas, a cigarrilha dependurada da boca, olhando primeiro para os ramos das árvores e, depois, para o corpo que tinham retirado da água, coberto por uma espécie de espuma esverdeada, a mesma que flutuava no canal.
Ele lembrava-se do canal, mas era uma imagem que só existia na sua memória e apenas durante o Verão, quando havia ruídos ao longo do parque, ruídos e vozes de crianças vindas da piscina monumental, de azul-claro, aquele burburinho das mesas e o tilintar de copos no terraço. Um mergulho na água transparente da piscina, sobre um azul de azulejo. Quantas vezes estivera ali? Três, quatro.
Talvez quatro. Apenas uma vez em pleno Inverno, depois de uma viagem extenuante pelas velhas estradas que entretanto tinham sido abandonadas, entre florestas que arderam e campos que foram sendo conquistados pelas vilas do planalto. Havia uma lareira na velha estalagem das traseiras do hotel. Serviam aguardentes antigas, silenciosas, em balões aquecidos. Havia sofás. Tapetes junto da lareira. Quartos com grandes janelas de vidro de onde se viam os pinhais, a vegetação que tomara conta das colinas, o céu cinzento da manhã seguinte.
Rosa gostara daquele quarto aquecido, voltado para as montanhas, os cumes cobertos de granitos disformes, rochas escuras recortadas no horizonte. E gostara do entardecer na sala do velho restaurante onde os criados se movimentavam em silêncio, durante o jantar, durante o almoço, durante a hora do chá. Ele limitarase a guiar pelas estradas que levavam a cruzamentos perdidos nas colinas das serras, e na sua memória tudo isso se passara num Inverno qualquer, mesmo que tivesse acontecido durante o Verão. Essa geografia vinha de outro mundo e esse era o mundo da sua infância; não tinha com ele uma boa relação, nem sequer uma relação. Limitava-se a reconhecer o cenário: fumo a erguer-se sobre as aldeias ao final da tarde, em crepúsculos densos e frios, ou a neblina de calor que tarda em desaparecer dos sopés das montanhas, durante o mês de Agosto; os rios, os animais, as nuvens, os muros dos campos, os choupos, os castanheiros, as vinhas, a história da sua família, os pais que tinham morrido há tempo de mais, os cemitérios em ruínas, o sotaque, o pão, o vinho.
Ele não fora talhado para essas coisas nem para essas memórias. Rosa costumava dizer que havia uma incompatibilidade entre ele e o mundo da natureza, mas não era bem isso. Simplesmente, não tinha relação com esse mundo.

”E que mundo é o teu?" "Não sei. Esta casa. Um dia depois do outro."

Ele compreendia a pergunta, mas gostava de não pensar na sua terra - o que poderia ser invulgar num transmontano do princípio dos anos cinquenta, educado pelo amor das neblinas e pelo temor das insolações. E pela ideia de que havia nobreza na pele muito branca das mulheres das montanhas, onde se notavam mais os sinais rosados da boa saúde ou da abundância de geadas e de cieiro. Ultimamente pensava muito na paisagem das montanhas, nos vales escuros do rio, que o enviavam à sua adolescência, antes do serviço militar e da fuga para a cidade.

"És feliz aqui ou queres voltar à tua terra depois da reforma?", perguntara-lhe Rosa depois. Ou uma noite destas. Ou há uns anos, tanto fazia. Não se lembrava quando fora, mas a pergunta fazia eco desde essa altura, sobretudo quando aquela onda de nostalgia voltava para inquietá-lo e ele propunha uma viagem pelas serras, subindo e descendo por estradas sinuosas, escuras, percorrendo florestas abafadas e húmidas.

”O meu cheiro preferido", ele dizia. Mas não era. Era apenas uma paisagem - um negrume no limite do céu, ao crepúsculo.»

(continua)

publicado por Porto Editora às 16:54
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O Porta-Livros já leu O Mar em Casablanca

 

"Portanto, O Mar em Casablanca não é “apenas” um romance de personagens, é também, e de que maneira, um romance de lugares, começando logo pelo Passeio Alegre, no Porto, seguindo-se Vidago, o Douro, a Argentina e, claro, Casablanca, a do filme e a real.
É mais um livro sobre os portugueses no mundo, sempre interventivos em outras paragens, mas sempre deslocados quando longe da pátria. E se alguém sabe escrever sobre este tema, é Francisco José Viegas."

 

Crítica disponível aqui.

publicado por Porto Editora às 11:06
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Primeira parte da pré-publicação no Público

 

«O regresso do detective Jaime Ramos

Na quinta-feira chega às livrarias o policial O Mar em Casablanca de Francisco José Viegas, vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da APE, 2005, com Longe de Manaus

IMAGINEMO-LO VISTO DO CÉU

Na altura, alguém sugeriu que tentassem voltá-lo ainda na água, mas todos ouviram essa frase e ficaram paralisados: "Imaginemo-lo visto do céu." Ele disse a frase enquanto, com o olho direito semicerrado, acendia uma cigarrilha escura que retirara do bolso do blusão: "Imaginemo-lo visto do céu", e guardou o isqueiro, olhando em redor, para aquela clareira aberta no coração do parque, protegida pela copa dos grandes cedros e abetos, como se procurasse alguma coisa específica, ou nada em particular: um sinal na vegetação, entre os buxos, nos canteiros de tulipas transplantadas, entre as roseiras. Ou pegadas, provavelmente, porque se demorou uns minutos a inspeccionar o chão de saibro e os caminhos que iam dar ao campo de golfe - por um lado - ou aos campos de ténis - descendo a colina. Alguma coisa. Uma nuvem de fumo, azulada, contrastando com o verde e castanho do parque, o cheiro do tabaco no meio dos musgos. E então olhou para o céu, erguendo o rosto para a luz cinzenta da manhã. Daí a minutos começaria a chover, aquela chuva miúda que mal se ouvia a cair. Os quatro homens que rodeavam o cadáver formavam um semicírculo de fantasmas vestidos de escuro, três deles vestindo impermeáveis compridos, até aos tornozelos, azuis, com capuz e monograma do hotel - apenas o polícia permanecia indiferente à chuva, a cigarrilha pendendo do canto da boca, como se não prestasse atenção ao corpo abandonado no chão. Vinte metros à direita, o jipe que os guardas tinham feito chegar até ali, com uma das rodas enterrada na areia.

"Viemos logo", informou um deles quando um dos homens da Judiciária - o mais velho - saiu do carro azul-escuro deixando os vidros abertos, apesar da chuva. "Arrastámo-lo para a margem, mas achámos que era melhor deixá-lo ali. Quem souber fazer as coisas, que as faça agora. A cada um o seu mister.

Fizemos bem?"

"Quem é ele?"

"O director do hotel já foi ver. Um dos convidados da festa. Grande festa, raio de festa, uma festa de encerramento do hotel. Vai estar fechado dois anos."

"E onde está o director do hotel?", perguntou o homem. "Foi lá para dentro há uns minutos. Diz que é uma chatice, isto tudo. Há cento e vinte convidados a dormir."

"Cento e vinte e seis", corrigiu ele, apontando a cigarrilha para o corpo estendido na margem. "O que não altera muito as coisas. Vamos vê-lo."

"Não se espante."

"Eu ainda me espanto com muitas coisas", murmurou ele, voltando-se para o polícia mais novo, que já se aproximava da água, falando ao telefone. "E fizemos bem?", voltou o guarda.
Ele olhou-o, sério. O guarda tinha um bigode de outro século, como o hotel, e - ao perto - viam-se duas gotículas de água da chuva num dos cantos.

"Sim. Fizeram muito bem. Como é o seu nome?"

"Rodrigues. Sargento Rodrigues. É muito raro isto acontecer no Vidago, inspector. Não estamos habituados, mas vê-se muito nos filmes. E nos regulamentos." "É o progresso, amigo Rodrigues. Algum dia teria de chegar ao Vidago. Faça-nos um favor: não deixe ninguém andar por aqui, mande vedar isto, desde o lago até ao caminho ali ao fundo. Vamos ter muito que fazer por aqui."

"Só uma pergunta. Veio logo um inspector assim, como o senhor, por alguma razão?"

"O médico disse que eu preciso de fazer ginástica de vez em quando." "Estou a ver. Mas vir do Porto ao Vidago é como se não houvesse ginásios no Porto." "Estão fechados aos domingos, sargento."»

 

(continua)

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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Da sinopse

"O que une um cadáver encontrado nos bosques que rodeiam o belo Palace do Vidago e um homicídio no cenário deslumbrante do Douro? O que une ambos os crimes às recordações tumultuosas dos acontecimentos de Maio de 1977 em Angola? Jaime Ramos, o detective dos anteriores romances de Francisco José Viegas, regressa para uma nova investigação onde reencontra a sua própria biografia, as recordações do seu passado na guerra colonial - e uma personagem que o persegue como uma sombra, um português repartido por todos os continentes e cuja identidade se mistura com o da memória portuguesa do último século.

 

História de uma melancolia e de uma perdição, O Mar em Casablanca retoma o modelo das histórias policiais para nos inquietar com uma das personagens mais emblemáticas do romance português de hoje."

publicado por Porto Editora às 10:54
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Primeiro capítulo

 

As primeiras páginas de O Mar em Casablanca estão disponíveis aqui.

publicado por Porto Editora às 09:51
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

7 de Outubro, 22:00, Cantina LX

 

Tome nota: 7 de Outubro, quarta-feira, 22:00, na Cantina LX - LX Factory (Alcântara).

 

Dia, hora, local para a realização da Sessão de Lançamento de O Mar em Casablanca, de Francisco José Viegas.

 

O livro será apresentado pelo cineasta António Pedro Vasconcelos e, no fim, será servido um cocktail ao gosto do inspector Jaime Ramos.

 

A não perder.

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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Quatro anos depois

Foi em 2005 que Francisco José Viegas recebeu o Grande Prémo de Romance e Novela, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores, pelo Longe de Manaus.

 

O (longo) silêncio termina agora, com a saída do tão aguardado Mar em Casablanca. Ao livro, e ao autor, dedicamos este blogue que reunirá tudo o que há a saber sobre esta obra literária.

publicado por Porto Editora às 15:06
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o autor

Francisco José Viegas nasceu em 1962. Foi professor universitário e jornalista, tendo sido director da revista Grande Reportagem e da Casa Fernando Pessoa.

Actualmente é director editorial da Quetzal e director da revista Ler, colaborador de vários jornais e revistas (nomeadamente Correio da Manhã, A Bola, Volta ao Mundo). Foi responsável por programas na rádio (Antena 1) e televisão (Livro Aberto, Escrita em Dia, Ler para Crer, Primeira Página, Avenida Brasil, Prazeres e Um Café no Majestic).

Da sua obra destacam-se livros de poesia (Metade da Vida, O Puro e o Impuro e o mais recente Se Me Comovesse o Amor) e os romances Regresso por um Rio, Morte no Estádio, As Duas Águas do Mar, Um Céu Demasiado Azul, Um Crime na Exposição, Um Crime Capital, Lourenço Marques e Longe de Manaus, com o qual obteve o Grande Prémio de Romance e Novela, de 2005, da Associação Portuguesa de Escritores.

Os seus livros estão publicados na Itália, Alemanha, Brasil, França e República Checa.

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